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	<title>É o vento, e nada mais.</title>
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		<title>É o vento, e nada mais.</title>
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		<title>Hussein, POTUS &#8211; ou Eleições Americanas de 2008</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 17:50:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas eleições do dia 4 de novembro de 2008, o povo dos Estados Unidos da América foi às urnas em números nunca antes vistos para decidir os rumos de sua nação, numa das mais acirradas campanhas eleitorais já ocorridas na terra do Tio Sam. De um lado, um célebre veterano do Vietnã, com posições ideológicas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=49&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Nas eleições do dia 4 de novembro de 2008, o povo dos Estados Unidos da América foi às urnas em números nunca antes vistos para decidir os rumos de sua nação, numa das mais acirradas campanhas eleitorais já ocorridas na terra do Tio Sam. De um lado, um célebre veterano do Vietnã, com posições ideológicas conservadoras, porém bastante diferentes de seu antecessor mundialmente odiado. John McCain seria um bom presidente dos Estados Unidos; mesmo com sua idade avançada e escolha pobre de Vice-Presidente (afinal, Bush pai sobreviveu a Dan Quayle), ele conseguiu a proeza de ser o candidato republicano mais interessante desde Reagan.</p>
<p>Porém, apesar de ter ido mais longe do que nas eleições de 2000, quando se retirou nas primárias após uma disputa intensa com o atual presidente estadunidense George Walker Bush, John McCain teve a mesma sina do democrata Adlai Stevenson: a eleição de 2008 já estava definida no momento em que o candidato do outro partido foi escolhido. Muitos comentaristas falam sobre a falência do Partido Republicano, sem ideais que apelem para o povo americano (exceto pela minoria religiosa que cada vez mais perde o espaço conquistado aos gritos), que inclusive foi responsável pela expansão da maioria democrata no Congresso e na <i>House of Representatives</i>.</p>
<p>Mas, fosse o candidato Democrata outro que não Barack Hussein Obama II, as coisas poderiam ter corrido de forma muito diferente.</p>
<p> <img src="http://slawter.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" class="mceWPmore mceItemNoResize" title="More...">
</p>
<p>De um relativo ninguém, o candidato a uma vaga senatorial que fez a <i>keynote speech</i> da Convenção do Partido Democrata em 2004 se tornou uma potência política, capaz de derrotar mesmo o estabelecidíssimo nome de Hillary Rodham Clinton nas primárias para a eleição de 2008. Parte de tamanha popularidade se deve ao seu trabalho no Senado, pela aprovação de leis como o <i>Coburn-Obama Transparency Act</i>, que estabeleceu um <i>site </i>com a prestação de contas do governo americano. Mas, lei por lei, tanto Clinton quanto McCain possuem uma participação mais destacada do que a de Obama, que se absteve em várias votações tidas como importantes (ao menos para as olavetes de plantão).</p>
<p>Barack Obama não era apenas um candidato comum, nem sua vitória é devida apenas à fraqueza momentânea do Partido Republicano. Ele é uma figura jovem, ativa, com um diploma de Harvard para provar o seu intelecto, filhos pequenos a criar. Joga basquete, está tentando largar o cigarro. Leitores brasileiros mais atentos à história devem se lembrar de uma figura que já governou a <i>terra Brasilis, </i>também eleita a partir de uma promessa de juventude e renovação. Sim, ele mesmo, Fernandinho Viadinho.</p>
<p>Porém, antes de concordar com Olavo de Carvalho e partirmos a crer na hipótese de que a vida do futuro 44º presidente dos EUA é apenas uma construção para um <i>Candidato Manchuriano</i>, convém lembrar que, mesmo que ele seja, o Executivo não possui tanto poder quanto o detido por um certo batráquio hirsuto, ou por coronéis golpistas fracassados. Qualquer desvio daquilo que o povo americano espera do candidato que elegeu, e pode-se ter certeza de que ele estará fora do poder antes que alguém consiga dizer <i>Impeachment</i> (Ou <i>Lee Harvey Oswald</i>).</p>
<p>Dessa forma, prefiro me focar na análise do significado da eleição e das perspectivas futuras. </p>
<p>É triste que uma coisa tão importante quanto mudança precise tornar-se um <i>slogan </i>político para receber a devida atenção, mas é exatamente isso que grande parte do povo americano busca. Não os <i>Bible Belters</i> e <i>neocons</i> que guiaram a política interna e externa nos últimos oito anos; quem foi as urnas por Obama, na maior parte dos casos, foi o povo das grandes cidades litorâneas, a América que inova, que muda, que se transforma e, ao fazê-lo, transforma o mundo.</p>
<p>A eleição de Obama foi um sinal dessa fração importante dos Estados Unidos para o mundo. Um sinal de que se deseja, de fato, romper com o desastre que foi a política externa de Bush, responsável pelo aumento do déficit e pelo envolvimento em duas guerras custosas e difíceis. Um sinal de que a sociedade deseja ser mais aberta e acolhedora às miríades que vão buscar o tão exaltado “Sonho Americano”. Um sinal de que os americanos não mais estão (tão) indiferentes ao resto do mundo.</p>
<p>Pois, na verdade, Barack Hussein Obama, se sobreviver até o meio-dia do dia 20 de Janeiro de 2009, será um presidente com uma capacidade sem precedentes de mudar a forma como o mundo vê os Estados Unidos. Mesmo antes de receber a nomeação de seu partido, Obama já contava com uma forte popularidade no exterior, já tendo contato com líderes como Nicholas Sarkozy. Sua eleição foi vista com júbilo por boa parte do <i>Terceiro Mundo</i>, que vê em uma eleição tão histórica a probabilidade de um novo começo com a mão até então imperialista da águia americana. </p>
<p>Obama pode não contar com a aceitação absoluta do resto do mundo, mas, se ele der sinais de desejar mudança, as outras nações o ouvirão, enquanto qualquer outro presidente fazendo a mesma coisa seria tomado por cínico. Se ele desejar encerrar a fanfarronice bolivariana, Hugo Chaves já abriu as portas para isso, com uma efusiva carta de congratulações. Se ele quiser abrir negociações com o Irã, o regime dos aiatolás o ouvirá. É muito forte no mundo a esperança de que as coisas mudem. Muita decepção ainda pode vir disso, mas, se o novo presidente se ativer às suas promessas e sinais de campanha, a percepção que o mundo tem dos Estados Unidos pode mudar – para a melhor.</p>
<p>Na parte 2: Os desafios do novo presidente.</p>
<p></p>
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		<title>Pequeno rascunho econ&#244;mico</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 16:32:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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Bem, muita coisa aconteceu no tempo em que fiquei sem postar. Então, tentarei fazer um breve sumário de alguns tópicos importantes, enquanto não escrevo algum post de grande porte como nos velhos tempos. 
Para quem esteve fora do mundo (ou no Curso Poliedro, o que dá na mesma) Uma crise econômica, que já pairava no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=48&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#160;</p>
<p>Bem, muita coisa aconteceu no tempo em que fiquei sem postar. Então, tentarei fazer um breve sumário de alguns tópicos importantes, enquanto não escrevo algum <em>post</em> de grande porte como nos velhos tempos. </p>
<p>Para quem esteve fora do mundo (ou no Curso Poliedro, o que dá na mesma) Uma crise econômica, que já pairava no horizonte há algum tempo, ocorreu, com resultados desastrosos. A queda no valor das casas fez com que os títulos que dependiam disso também se desvalorizassem, causando um grande impacto no mercado financeiro. Nomes tradicionais como o Lehmann Brothers faliram como que da noite para o dia, garantindo que a situação principiada no setor imobiliário estadunidense passasse a ser uma emergência em nível mundial. </p>
<p> <span id="more-48"></span>
<p>Para compreender as causas, conseqüências e possíveis rumos a serem tomados, recomendo <a href="http://www.stratfor.com/">Stratfor</a> ou o <a href="http://fabiusmaximus.wordpress.com/2008/11/01/imf-2/">Fabius Maximus</a>. A curto prazo, tivemos a falência de grandes empresas; o setor bancário da Islândia, cujas taxas de juros haviam atraído muitos investimentos de fundos ingleses, quebrou a tal ponto que o país teve de se sujeitar a pedir dinheiro para a Rússia – que, considerando-se o fato de que a bolsa de Moscou chegou a ter queda de 20% em um único dia, não estava exatamente bem das pernas. A médio e longo prazo, a perspectiva da diminuição da presença militar americana, motivada pela necessidade de contenção de gastos, leva pensadores como Wallerstein a cantarem o fim do império americano, possivelmente ainda de forma precoce.</p>
<p>Os governos dos países mais desenvolvidos criaram diversos planos para tentar conter os efeitos da crise. Os Estados Unidos criaram um pacote de 700 bilhões de dólares para salvar bancos da falência. A União Européia, por mais que não tenha criado um plano único de reação, definiu em reunião as <em>guidelines</em> para os planos a serem criados por seus membros. Mesmo o Brasil, cuja economia vinha com um crescimento estável e até que bom antes da crise, precisou tomar medidas para se proteger.</p>
<p>Em comum, esses planos possuem uma série de características. Muitos deles consistem na liberação de quantidades maciças de crédito para o governo adquirir bancos que estejam perto da falência, como os EUA já fizeram com os outrora semi-estatais Fannie Mae e Freddie Mac, além de outras medidas para tentar restaurar a confiança do público. No entanto, essas medidas, além de não aliviarem a tendência dos bancos de reduzir as concessões de crédito para o consumidor – por medo de não serem pagos –, constituem uma tentativa de socializar os prejuízos dos mais ricos em detrimento de toda a sociedade.</p>
<p>Na minha humilde visão de não-economista, esses planos agem em um ponto que não é o fundamental. Uma eventual intervenção na economia (não vou entrar aqui no debate sobre a validade do intervencionismo estatal) deveria ter medidas para conter o problema e impedir que ele se repita. A curto prazo, restaurar o valor das hipotecas e impedir que o consumidor seja prejudicado pela crise é mais importante do que salvar bancos e financeiras; empresas vêm e vão, mas a economia atual gira em torno do consumo. Talvez uma recessão, como no final da década de 80, seja uma solução, desde que se consiga impedir que o impacto dela seja muito profundo.</p>
<p>A longo prazo, é necessário repensar o atual modelo econômico. A Crise de 29 foi solucionada apenas após análises por economistas como John Maynard Keynes. Porém, isso não implica que uma ressurreição das idéias keynesianas seja a solução ótima para esse problema. Talvez outras contribuições além da síntese neoclássica possam ser úteis. Para aqueles que crêem no intervencionismo estatal, este parece ser um momento que pede por legislações como o <em>Glass-Steagal Act</em>; para pseudo-comunistas tão comuns em Diretórios Acadêmicos e cursos de Humanas e Ciências Sociais, é um indício do colapso inevitável do Capitalismo. Independentemente de quem esteja certo, só se pode ter uma certeza: não pode haver um retorno ao <em>status quo ante crisis</em>.</p>
<div class="wlWriterEditableSmartContent" id="scid:0767317B-992E-4b12-91E0-4F059A8CECA8:6f0c3c32-e844-4476-a0e4-744cf35123ea" style="display:inline;float:none;margin:0;padding:0;">Technorati Tags: <a href="http://technorati.com/tags/Economia" rel="tag">Economia</a>,<a href="http://technorati.com/tags/Crise" rel="tag">Crise</a>,<a href="http://technorati.com/tags/Capitalismo" rel="tag">Capitalismo</a></div>
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	</item>
		<item>
		<title>Ausência</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 17:31:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho postado neste blog há algum tempo, por uma série de motivos. Por um lado, minhas habilidades de escrita se atrofiaram e eu não tenho tido muitas idéias realmente blogáveis ultimamente.
Outro motivo para eu andar meio sumido é a escola. Estamos em uma época de revisão para os vestibulares, e as provas já começaram. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=46&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Não tenho postado neste blog há algum tempo, por uma série de motivos. Por um lado, minhas habilidades de escrita se atrofiaram e eu não tenho tido muitas idéias realmente blogáveis ultimamente.</p>
<p>Outro motivo para eu andar meio sumido é a escola. Estamos em uma época de revisão para os vestibulares, e as provas já começaram. Essa semana, tive uma experiência particularmente traumatizante com a prova do IME. Talvez fale mais sobre isso depois.</p>
<p>Dessa forma, boa parte do meu tempo acaba indo embora, e alguns poucos projetos paralelos importantes &#8211; como o latim &#8211; tomam o resto do meu tempo; por isso a aparente morte desta página. No entanto, tentarei postar alguma coisa nos próximos dias.</p>
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		<item>
		<title>Ennui</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Sep 2008 21:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.&#8221;
-Álvaro de Campos

Mais um dia sem sentido. Artur abriu os olhos, com uma expressão visivelmente acabada. Por que levantar? Para tomar café, escovar os dentes, vestir-se? Para bater cartão, sentar à mesa, rever papeladas, almoçar, ver mais papéis, voltar para casa? Não fora para isso que se esforçara tanto, que sacrificara [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=39&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;">&#8220;Cansaço assim mesmo, ele mesmo,<br />
Cansaço.&#8221;</p>
<p style="text-align:right;">-Álvaro de Campos</p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;">Mais um dia sem sentido. Artur abriu os olhos, com uma expressão visivelmente acabada. Por que levantar? Para tomar café, escovar os dentes, vestir-se? Para bater cartão, sentar à mesa, rever papeladas, almoçar, ver mais papéis, voltar para casa? Não fora para isso que se esforçara tanto, que sacrificara sua juventude em meio a livros e exercícios. Tanto esforço, todos os anos na faculdade de engenharia, tudo isso para um empregozinho medíocre &#8211; que pagava muito bem, é verdade; mas não menos medíocre por conta disso -, para passar oito horas por dia de paletó e gravata atrás de uma mesa.</p>
<p style="text-align:left;">Mesmo assim, saiu da cama, mais por força do hábito que por vontade própria, e foi mecanicamente tomar seu café. Esquecera-se de que a esposa não mais morava lá; estavam tão distantes ultimamente que mal notou quando ela sumiu de vez da casa. Mas o silêncio de súbito o atingiu como todas as discussões não haviam conseguido. Parou de andar em direção à cozinha; não estava mais com fome. No lugar disso, seu estômago se embrulhou, como se quisesse botar algo para fora. O quê? Vestiu-se apressado e foi para o carro, seus passos metódicos substituídos por um andar hesitante, quase ébrio.</p>
<p style="text-align:left;">Olhou-se no retrovisor. A gravata estava desalinhada; o cabelo, idem. A cabeça, no entanto, era o que mais estava em desarranjo. Idéias vinham e passavam, turbilhões de sensações reprimidas despertando e morrendo em átimos de segundo. Já não era mais jovem, e a memória de tudo aquilo que deixou para trás agora o atingia como um tiro. Teria valido a pena desistir de seus sonhos da mocidade? Não era infeliz, na verdade, e seu patrimônio era invejável.</p>
<p style="text-align:left;">O sinal à sua frente fechou; absorto em seus pensamentos, Artur se atrasou um instante em pisar nos freios. Sua Mercedes destruiu a traseira do carro que vinha à frente &#8211; um Gol, Escort, ou algum dos carros que aparecem aos milhares em qualquer cidade -, mas Artur não se importou. O que fizera com a vida? Se não era triste, também não era feliz. Trocara as paixões e os sentimentos pelo método, pela realização dos objetivos mais práticos. Construíra para si um mundo sem dor, sem erro; mas isso não era uma vida.</p>
<p style="text-align:left;">Lembrou de Camila, a quem tanto amara outrora. Ela saíra de casa após várias tentativas de consultar terapeutas de casais, de discutir a relação. Ela xingava, esperneava, ameaçava, mas ele nunca disse nada, nem mesmo quando ela foi embora. Não poderia, se não sua realidade criada desmoronaria como um castelo de cartas. Tudo aquilo por que ele lutou tanto tempo e perdeu tudo, ele não poderia desistir tão facilmente disso. Ou poderia? Precisava fazer algo.</p>
<p style="text-align:left;">As sirenes do resgate se aproximavam do lugar do acidente. O celular começou a tocar; possivelmente era a secretária perguntando sobre o atraso. As pessoas começavam a se amontoar em torno dos carros, obstruindo a passagem do tráfego pela avenida. Artur abriu a porta de seu carro, quase intacto pela colisão frontal. Essa era a hora. Talvez ainda houvesse algum jeito. Jogou o paletó na calçada e partiu, rumo ao nada (ou ao infinito).</p>
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		<title>Novamente sobre o vestibular</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Sep 2008 20:20:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Redação]]></category>
		<category><![CDATA[cotas universitárias]]></category>
		<category><![CDATA[inclusp]]></category>
		<category><![CDATA[ritos de pasagem]]></category>
		<category><![CDATA[vestibular]]></category>

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		<description><![CDATA[Maturidade. Mais do que uma avaliação de conhecimento, o exame conhecido como &#8220;vestibular&#8221; busca selecionar, dentre uma vasta quantitade de candidatos &#8211; majoritariamente jovens -, aqueles com o perfil adequado para um curso de Ensino Superior; funciona, desta forma, como um rito de passagem, em que o sucesso é acompanhado da aceitação e o fracasso [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=37&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Maturidade. Mais do que uma avaliação de conhecimento, o exame conhecido como &#8220;vestibular&#8221; busca selecionar, dentre uma vasta quantitade de candidatos &#8211; majoritariamente jovens -, aqueles com o perfil adequado para um curso de Ensino Superior; funciona, desta forma, como um rito de passagem, em que o sucesso é acompanhado da aceitação e o fracasso tem um grande preço.</p>
<p>O objetivo principal do vestibular não é a avaliação do conteúdo aprendido durante o Ensino Médio brasileiro, notadamente deficitário e por demais orientado ao desempenho nos exames de admissão às universidades. Se fosse, não existiriam iniciativas como o Inclusp, que aumenta a nota no vestibular da FUVEST dos alunos que fizeram o Ensino Médio em escolas públicas, uma vez que tais programas favorecem alunos que teoricamente carecem da base teórica daqueles que atingiram notas semelhantes, mas sem contar com nenhum bônus. No entanto, mesmo quando não foram tornadas obrigatórias por leis, elas existem.</p>
<p>Ao contrário das cotas, o método atualmente em voga para a compensação das desigualdades da educação brasileira, sistemas que beneficiam os alunos através de acréscimos percentuais sobre a nota conseguem fazer o papel inclusivo ao mesmo tempo que retêm o caráter discriminatório do vestibular. Por recompensar mais aqueles alunos que tiveram um bom desempenho, tais programas visam nivelar o vasto abismo existente entre as escolas públicas e privadas no Brasil, permitindo que os alunos concorram em pé de igualdade, enquanto as cotas segregam os alunos beneficiados por elas, criando como que um concurso alternativo.</p>
<p>O vestibular é um método seletivo bem discriminatório (não poderia ser diferente, uma vez que as vagas não são suficientes para todos); mas se ele não discrimina o conhecimento adquirido na vida escolar prévia, quais são os seus critérios? Os manuais de vestibulares como o da USP e o da Unicamp oferecem várias visões, por vezes conflitantes. Em comum entre tais exames, porém, exite o objetivo de identificar o que o ENEM chama de competências: a capacidade de interpretação, de raciocínio lógico, essencial para o aluno de qualquer curso universitário. A introdução das questões interdisciplinares no vestibular da FUVEST evidencia o fato de que, mais do que o aluno que tenha conhecimento prévio, busca-se aquele com maior capacidade de aprendizado e desenvolvimento mental &#8211; e psicológico, uma vez que é necessário lidar com o estresse decorrente das pressões com relação ao sucesso no exame.</p>
<p>A pressão sobre os jovens é ainda maior. Um adulto, ao prestar vestibular, está tenntando melhorar de vida ou realizar um sonho, mas sua vida já está basicamente encaminhada; já o jovem possui um imperativo: ele deve passar, para conseguir um bom emprego e satisfazer as exigências da família, da sociedade. Para os adolescentes, o vestibular passa a ser um rito de passagem para a vida adulta, como o seria a circuncisão ritual em tribos africanas. Para os bem-sucedidos, permite-se o acesso ao Ensino Superior, abrindo muitas possibilidades profissionais e pessoais para o futuro. Àqueles que fracassarem, no entanto, restam atividades tidas como socialmente inferiores.</p>
<p>Deve-se o formato do exame vestibular às condições sociais e econômicas presentes no Brasil contemporâneo, que fazem com que o ingresso em um curso universitário seja a diferença entre uma vida economicamente confortável e a carestia, entre a ascenção social e a marginalidade. Dessa forma, o vestibular se assemelha em propósito &#8211; se não em forma &#8211; aos ritos de passagem para a vida adulta de tribos ao redor do mundo. Mesmo a brutalidade e a dor presente em alguns destes encontra paralelo no estresse a que se submetem os jovens. A essência é a mesma.</p>
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		<title>Um belo despertar</title>
		<link>http://slawter.wordpress.com/2008/08/30/um-belo-despertar/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 16:48:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de um longo interlúdio, volto a postar neste blog &#8211; muito negligenciado ultimamente por mim, como todo o lado pessoal; vestibulares e outros processos seletivos tomam o meu tempo ultimamente -, mas dessa vez sobre um tópico que creio ainda não haver abordado nem aqui nem no (que Deus o tenha!) Far Beyond Sanity.
Literatura não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=31&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Depois de um longo interlúdio, volto a postar neste blog &#8211; muito negligenciado ultimamente por mim, como todo o lado pessoal; vestibulares e outros processos seletivos tomam o meu tempo ultimamente -, mas dessa vez sobre um tópico que creio ainda não haver abordado nem aqui nem no (que Deus o tenha!) Far Beyond Sanity.</p>
<p>Literatura não era um assunto que realmente me atraísse. Desde a mais tenra idade, tenho uma paixão pela leitura, mas até recentemente ela se restringia à Ficção Científica e a livros técnicos e de Ciências Humanas, não incluindo quase nada que sequer lembrasse clássicos da literatura (não que isso torne aquele tipo de leitura menos válido ou provocador de reflexões). Só no Poliedro é que fui tomar contato com os clássicos da Literatura brasileira e mundial, em uma fase particularmente crítica de minha vida. Minhas reflexões políticas foram acompanhadas por &#8220;Os Miseráveis&#8221; e &#8220;Vidas Secas&#8221;; minhas desilusões amorosas, por &#8220;Dom Casmurro&#8221;.</p>
<p>Inicialmente motivado pelo simples desejo de obter nota, meus contatos com a Literatura foram se expandindo cada vez mais, de tal forma que um ano foi o suficiente para converter o jovem chucro e sonhador que cruzou as portas d&#8217;O Ateneu em alguém completamente diferente. Tomei gosto por Castro Alves, por Drummond, por Graciliano Ramos e por uma miríade de outros autores que aterrorizam jovens que vão prestar vestibulares.</p>
<p>No entanto, não havia tido contato com a obra de uma das maiores escritoras que o Brasil já produziu: Clarice Lispector. Sempre via as obras dessa brasileira naturalizada sendo comparadas àquelas de autores do quilate de Machado de Assis e Guimarães Rosa, simplesmente os dois maiores autores em prosa já produzidos por este país. Nunca entendi o porquê, até que, há pouco tempo, fui fortemente encorajado a ler &#8220;Laços de Família&#8221;, coletânea de contos da autora supracitada. E devo dizer que, embora não me arrependa nem um pouco da leitura, fico feliz de não tê-la feito antes.</p>
<p>Não é à toa que existe o medo de Clarice, a tendência a tratá-la como uma autora dificílima. A dificuldade, porém, não está no nível lingüístico; ao menos nos livros dela que li, a linguagem não chega nem mesmo perto da complexidade presente em Guimarães Rosa. A arduidade também não vem da riqueza das personagens femininas presentes em sua obra; perto de mulheres como Macabéa, a Laura de &#8220;Imitação da Rosa&#8221; ou a garota de &#8220;Felicidade Clandestina&#8221;, apagam-se os homens.</p>
<p>O verdadeiro problema, por assim dizer, que as pessoas têm com Clarice Lispector é que ela as faz pensar. Em maior ou menor grau, os textos de Clarice são o equivalente literário a um murro na boca do estômago, fazendo com que nos confrontemos com nossos medos, nossas incertezas, nossas angústias, nossa resignação. Quando mostra a Ana, de &#8220;Amor&#8221;, feliz com a vida medíocre que leva - e, ao se dedicar integralmente aos filhos e ao marido, aceitar e até desejar tal situação -, Clarice parece estar falando diretamente a cada um de nós.</p>
<p>A sensação resultante se aproxima da angústia ou ansiedade descrita pelos existencialistas, que, por sua vez, é o medo derivado da sensação de liberdade. Ao mostrar o quanto nós nos restringimos deliberadamente, Clarice provoca pensamentos. E isso nos assusta; afinal, o que, realmente, nos impede de pularmos de uma ponte a qualquer momento? As pessoas sempre buscam algo a que se agarrar, para não pensar nas outras possibilidades.</p>
<p>Essa posição do ser humano enquanto náufrago no mundo é justamente o que a maior parte das obras de Clarice expõe. Desculpas, desistência, fantasias, tudo isso são coisas que usamos para suprimir a sensação de liberdade. Mas qualquer situação, por mais insignificante que seja &#8211; como um cego mascando chiclete em um ônibus &#8211; pode romper esse equilíbrio instável.</p>
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		<title>L&#8217;Amour</title>
		<link>http://slawter.wordpress.com/2008/08/03/lamour/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 23:56:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Far Beyond Sanity]]></category>

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		<description><![CDATA[
UPDATE: Este texto foi originalmente postado no finado Far Beyond Sanity, em uma versão que desde então sofreu diversas modificações, omissões e adições. Como é um texto que eu particularmente gostei de fazer, decidi retirá-lo do cemitério ao qual a morte de tal blog o condenaria. Aproveitei, também, para dar mais algumas pinceladas no tema.
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-
O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=27&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div class="snap_preview">
<p>UPDATE: Este texto foi originalmente postado no finado Far Beyond Sanity, em uma versão que desde então sofreu diversas modificações, omissões e adições. Como é um texto que eu particularmente gostei de fazer, decidi retirá-lo do cemitério ao qual a morte de tal blog o condenaria. Aproveitei, também, para dar mais algumas pinceladas no tema.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>O Amor é algo incompreensível e indefinível. Toda vez que alguém tenta descrevê-lo ou defini-lo, acaba sendo vago demais. “Amor é fogo que arde sem se ver” não quer dizer muito. Se fôssemos definir o amor de uma forma mais científica, acabaríamos nos referindo a ele como conseqüência de um conjunto de reações químicas no cérebro. Besteira. Só se pode falar do amor por exclusão ou através de suas conseqüências.</p>
<p><span id="more-27"></span></p>
<p>O Amor é algo muito diferente da paixão. Um pertence apenas ao plano das idéias, enquanto o outro é uma conseqüência da natureza animal do ser humano. A paixão visa apenas satisfazer as necessidades reprodutivas do ser humano &#8211; ou os impulsos pela reprodução -, a busca de um parceiro com características físicas atraentes para uma eventual prole. Já o amor é a busca por algo mais.</p>
<p>O Amor é algo que vai contra os instintos naturais. Como animais, deveríamos buscar sempre os parceiros mais aptos, para garantir uma prole forte e saudável. No entanto, não é isso o que acontece. Muitas vezes, o Amor surge em locais inesperados, de formas inesperadas e por motivos inesperados. Nem sempre o coração escolhe a pessoa que, por critérios objetivos apenas, seria a melhor opção.</p>
<p>O Amor é uma coisa confusa. Às vezes, ele aparece de mansinho, por sobre uma amizade que já existia há eras. Outras vezes, é algo súbito e instantâneo, aparecendo numa troca de olhares, em um sorriso, em uma música. De vez em quando, procuramo-no onde ele não existe, ou em lugares inusitados. Ou então, de forma completamente oposta, ele surge onde menos esperávamos, e só percebemos quando é tarde.</p>
<p>O Amor é algo que pode aparecer a qualquer momento. Muitas vezes, quando se é jovem e há um vestibular pela frente, não estamos preparados para lidar com um amor surgido em um momento de vulnerabilidade. Então simplesmente tentamos suprimir o que sentimos, fingir que não há nada e continuar a vida como antes da &#8220;catástrofe&#8221; romântica. Outras vezes, porém, o que nos dá forças para seguir adiante é justamente o ato de amar.</p>
<p>Amar é ter medo. Medo de que a pessoa amada não corresponda aos sentimentos. Medo de falar algo idiota e estragar tudo. Medo de expôr o que realmente se sente. Medo de que talvez aquela não seja a pessoa certa. Medo de fazer alguma coisa besta. Medo de perder a pessoa amada. Medo do futuro. Medo de ter medo. E o medo é o assassino da mente. Quantas oportunidades não perdemos simploesmente por medo?</p>
<p>Apesar de todos os temores, amar é um ato de coragem. É estar disposto a se abrir inteiramente (sim, inclusive na conotação maliciosa, dependendo das preferências de cada um) a uma outra pessoa, a abandonar totalmente o decoro. Ao amar, entramos em um território completamente não mapeado, esperando que tudo dê certo.</p>
<p>Como nem tudo na vida dá certo, o amor às vezes acaba. Paulo Mendes Campos escreveu um <a href="http://www.almacarioca.com.br/cro82.htm">belo texto sobre isso</a>. O problema é quando, apesar de tudo o que aconteceu, ele <strong><em>não</em></strong> acaba. Quando, mesmo após uma grande traição (uma não, duas!), ainda atendemos o telefone, em meio aos frios prédios de uma cidade hostil.</p>
<p>Quando, por não aceitar que as coisas nunca mais serão as mesmas, tentamos nos convencer que odiamos a pessoa a quem dedicamos tanto de nossas vidas &#8211; mesmo que por apenas alguns meses -, proferindo tantos insultos e palavras mordazes, mas sem nunca conseguirmos nos afastar de quem amamos. Ou quando, mesmo sabendo que as coisas nunca mais serão as mesmas, não queremos deixar a pessoa que amamos por tanto tempo se afastar.</p>
<p>Quando nada mais parece fazer sentido, agora que a pessoa se foi, é um problema. Algumas vezes, o amor que um dia existiu acaba sendo trocado por rancor ou por obsessão. Outras, tentamos construir um muro em torno de nossos sentimentos, para nunca mais nos machucarmos tanto. Nem sempre é fácil aceitar que a vida continua.</p>
<p>Mas continua. E, às vezes, o verdadeiro amor consiste em simplesmente deixar partir. Como disse Raul, “Amor só dura em liberdade/E o ciúme é só vaidade”. Por vezes, precisamos reconhecer que, se realmente amamos uma pessoa, a melhor solução é nos afastarmos. Nem sempre somos as pessoas ideais para quem amamos. Alguns ririam da noção de idealidade. Mas, afinal, o que é o amor se não uma idealização? Sem um forte componente de sonho, ele se torna algo indistinto da paixão carnal e barata.<em></em></p>
<p>Não só de pesar é feito o amor. Afinal, como disse Cícero, haveria maior prazer no mundo que encontrar uma alma amiga? Alguém com quem compartilhar as angústias e triunfos, mesmo que por apenas alguns momentos? Para podermos suportar a realidade, precisamos de algo que nos ampare.</p>
<p>Amar é não saber o que vem adiante, e não se importar. Afinal, temos um porto seguro ao qual retornar. É estar pronto para arriscar tudo, até a si mesmo, por outra pessoa. Certamente não é algo tão leviano quanto as inúmeras declarações de amor que vemos durante a vida nos levam a crer.</p>
<p>Pode-se passar uma vida inteira sem nunca amar de verdade. No entanto, tal vida seria algo extremamente triste. E besta.</p>
<p>Listening to: Summer ‘68 &#8211; Pink Floyd</p></div>
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		<item>
		<title>Pequeno monólogo</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 01:12:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[filosofando]]></category>

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		<description><![CDATA[Jogos, máscaras. No fundo, as coisas são sempre as mesmas: ocultar, disfarçar, suprimir, adequar-se. Nada de sentimentos. Apenas a conformidade é esperada. A aceitação daquilo que é real, do que é esperado. Mas a realidade é uma prisão, talvez a mais insidiosa de todas. Só há uma escapatória, um último refúgio: o caos, o imprevisível.
Sem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=19&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Jogos, máscaras. No fundo, as coisas são sempre as mesmas: ocultar, disfarçar, suprimir, adequar-se. Nada de sentimentos. Apenas a conformidade é esperada. A aceitação daquilo que é real, do que é esperado. Mas a realidade é uma prisão, talvez a mais insidiosa de todas. Só há uma escapatória, um último refúgio: o caos, o imprevisível.</p>
<p>Sem modelos ou previsões, por favor. Não me venham com Teorias de Tudo! Feliz é a marionete, pois ela não vê os fios que a regem. Já o <em>homo sapiens</em>, triste figura quixotesca enfrentado seus imperativos biológicos, é capaz de ver as paredes de sua cela. E isso o angustia. Quanto mais ele pensa, mais nítidos ficam os contornos.</p>
<p>Quando somos jovens, acreditamos que podemos mudar o mundo. Talvez possamos, talvez não. Mas, quando percebemos todo o poder que tínhamos, já é tarde demais &#8211; ele se foi, junto com a mocidade.</p>
<p>Existem limites antes que os enxerguemos, ou eles surgem de tanto que os buscamos? Ao tatearmos cegamente, encontramos as paredes de nosso claustro. Mas não sabemos se elas já estavam lá antes ou se apareceram por nossa insistência. Se você olha para o abismo, o abismo olha para você.</p>
<p>Talvez todo o problema esteja nessa ânsia de saber. Sem ela, seríamos completa e ridiculamente ignorantes. Mas a alternativa nem sempre é melhor. Para alguns, o conhecimento traz a felicidade; para outros, apenas angústia.</p>
<p>&#8220;Dorme agora&#8230;é só o vento lá fora.&#8221;</p>
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		<title>Capacidades e Efeitos: Duas Formas Operacionais</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 16:56:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Military]]></category>
		<category><![CDATA[COIN]]></category>
		<category><![CDATA[contra-insurgência]]></category>
		<category><![CDATA[estratégia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto ainda escrevia no Far Beyond Sanity, iniciei uma série de posts sobre assuntos militares, iniciando pelos dois grandes teóricos do século XIX: Jomini e Clausewitz. Desde o tempo desses autores, no entanto, houve mudanças muito maiores do que aquelas provocadas pelas Guerras Napoleônicas. O surgimento dos blindados, da aviação militar e, por último, das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=slawter.wordpress.com&blog=3978660&post=22&subd=slawter&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="font-size:x-small;">Enquanto ainda escrevia no Far Beyond Sanity, iniciei uma série de posts sobre assuntos militares, iniciando pelos dois grandes teóricos do século XIX: </span><a href="http://tecbelico.wordpress.com/2008/06/23/jomini-e-a-historia-militar/"><span style="font-size:x-small;">Jomini</span></a><span style="font-size:x-small;"> e </span><a href="http://tecbelico.wordpress.com/2008/07/11/uma-visao-racional-da-guerra-a-abordagem-de-clausewitz/"><span style="font-size:x-small;">Clausewitz</span></a><span style="font-size:x-small;">. Desde o tempo desses autores, no entanto, houve mudanças muito maiores do que aquelas provocadas pelas Guerras Napoleônicas. O surgimento dos blindados, da aviação militar e, por último, das armas nucleares, alterou grandemente a guerra como a conhecemos, levando ao surgimento de novas teorias.</span></p>
<p><span id="more-22"></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">São muitos os teóricos que tentaram modelar a nova face da Guerra; a maioria ainda sob uma ótica clausewitziana, mas alguns buscando uma ruptura com tal modelo. Uma vez que as teorias são tantas e muitas vezes contraditórias, não irei fazer uma abordagem individual para cada grande autor, mas sim tentarei abordar alguns dos tópicos mais discutidos ultimamente no campo de planejamento militar e estudos estratégicos.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">No último quarto de século, o fim da Guerra Fria e o combate ao terrorismo tornaram necessárias diversas mudanças no planejamento militar, especialmente das grandes potências. Enquanto antes o foco era no que os estadunidenses chamam de <em>full-spectrum warfare</em>, o cenário político após o fim do bloco soviético tornou mais provável conflitos entre </span><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Asymmetric_warfare"><span style="font-size:x-small;">forças díspares</span></a><span style="font-size:x-small;">, contra-insurgências e as </span><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/MOOTW"><span style="font-size:x-small;">MOOTW</span></a><span style="font-size:x-small;"> (<em>Military Operations Other Than War</em>).</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Segundo </span><a href="http://www.jornaldefesa.com.pt/noticias_v.asp?id=619"><span style="font-size:x-small;">João Vicente</span></a><span style="font-size:x-small;">, Major da Força Aérea Portuguesa, o caráter da guerra &#8211; e não sua natureza &#8211; está sofrendo transformação. E uma das mudanças é o conceito emergente de Operações Baseadas em Efeitos, conceito já adotado pelas forças armadas britânicas e popular dentre os acadêmicos militares ianques. Mas, antes de entendermos esse novo conceito, precisamos entender aquilo que o antecedeu.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Até pouco tempo, predominava no meio militar a visão de operações baseadas em capacidades. Uma abordagem particularmente popular nos Estados Unidos era a de Joseph Strange, que, partindo do conceito de <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Center_of_gravity_%28military%29">centro de gravidade</a> (CoG)</em> definido por Clausewitz (assunto para um post futuro), definiu que o CoG funcionava como tal por possuir certas Capacidades Críticas (CC) que, para serem mantidas, possuiam Requisitos Críticos (CR), os quais, se estivessem acessíveis a um ataque inimigo, passavam a ser Vulnerabilidades Críticas (CV). </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Ao atacar tais CVs, nega-se ao inimigo o uso das capacidades críticas, de modo que ele não possa impedir a obtenção dos objetivos do lado que ataca os CVs. E, da mesma forma que na Física, um impacto suficientemente forte no centro de gravidade é o suficiente para derrubar um inimigo. Tal abordagem pode ser vista na campanha de bombardeio contra o parque industrial alemão na Segunda Guerra Mundial e, de forma geral, nos ataques contra a infra-estrutura do país-alvo, visando negar ao inimigo o seu uso.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Pensada para uma guerra entre dois grupos transnacionais que, ao menos belicamente, poderiam ser considerados imagens especulares uns dos outros, essa abordagem não deixa de ter sentido, uma vez que visa negar ao oponente meios que facilitam ou mesmo são essenciais para a condução da guerra.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Só que uma aplicação universal deste conceito não deixa de ter seus problemas. O primeiro é aplicá-lo onde a infra-estrutura já é precária, notadamente em conflitos entre nações africanas, em que muitas vezes boa parte da renda do país é usada para comprar armamento de ponta enquanto a população é relegada a condições miseráveis. </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Uma guerra que destrua hospitais, estradas, redes de distribuição elétrica apenas piorará as já precárias condições de vida da população civil, sem necessariamente anular as capacidades do inimigo de conduzir uma guerra. Isso pode ser visto no fato de que, segundo um </span><a href="www.oxfam.org.uk/resources/policy/conflict_disasters/bp107_africasmissingbillions.html"><span style="font-size:x-small;">estudo da Oxfam de 2007</span></a><span style="font-size:x-small;">, as nações africanas gastaram com conflitos armados dese 1990 uma quantia equivalente à ajuda internacional enviada para o continente durante todo o período.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Outro problema, talvez mais preocupante para os estrategistas, é de que ataques contra a infra-estrutura de um país, por mais que prejudiquem a atuação de um exército nos moldes contemporâneos, não afetam &#8211; e até ajudam &#8211; a atuação de insurgentes. Destruir estradas e redes elétricas não torna mais difícil para um combatente irregular plantar um </span><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Improvised_explosive_device"><span style="font-size:x-small;">IED</span></a><span style="font-size:x-small;"> ou disparar um </span><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rocket-propelled_grenade"><span style="font-size:x-small;">RPG</span></a><span style="font-size:x-small;"> contra as tropas de ocupação. Pelo contrário, até torna mais fácil para estes recrutar novos combatentes a partir de um <em>pool</em> de insatisfeitos com as mazelas trazidas pelos ocupantes.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Talvez estes não sejam problemas inerentes às operações baseadas em capacidades, mas de qualquer forma produziram grandes reflexões no meio militar. E uma das saídas propostas foi justamente o conceito de Operações Baseadas em Efeitos (EBO, do inglês <em>Effects-Based Operations</em>).</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">A diferença entre as abordagens é principalmente no foco; ambas visam a obtenção de um objetivo final, mas de modos diferentes. A abordagem baseada em capacidades visa, de forma clausewitziana, desarmar o oponente, de modo a negá-lo a capacidade de resistência. Já a abordagem baseada em efeitos é mais cirúrgica, tomando atitudes com efeitos que contribuam diretamente para a obtenção do objetivo final e ao mesmo tempo visando minimizar conseqüências indiretas negativas.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">O planejamento baseado em efeitos exige &#8211; como disse <a href="http://www.airpower.au.af.mil/airchronicles/apj/apj03/sum03/echevarria.html">Antulio J. Echevarria</a>, tenente-coronel americano &#8211; uma boa dose de capacidade de previsão, tanto para identificar o curso de ação a ser tomado para atingir o objetivo quanto para antever efeitos indiretos, que podem ser tanto benéficos quanto prejudiciais ao objetivo principal.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Um exemplo pode ser visto na Primeira Guerra do Golfo, em que, segundo Echevarria, o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/CENTCOM">CENTCOM</a> dedicou mais tempo a identificar o CoG do exército iraquiano do que efetivamente planejando como atacá-lo. Isso para uma abordagem ainda majoritariamente baseada em capacidades, visto que a Guerra Fria ainda era parte do passado recente. Os estudos e previsões necessários para um uso adequado de EBO demandam tempo e recursos de inteligência, <em>commodities</em> escassas em um conflito.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Mesmo assim, a nova face dos conflitos armados no século XXI torna necessária a adoção de tal abordagem. Em uma insurgência, o inimigo não tem face, podendo se misturar facilmente a uma população não necessariamente hostil mas temerosa das forças estrangeiras. Ações precipitadas, sem preocupação com efeitos colaterais, podem levar a população para o campo do inimigo. </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Como aprendido a duras penas no Vietnã e na Argélia &#8211; e, atualmente, no Iraque e no Afeganistão -, a chave para a vitória em uma contra-insurgência é o apoio populacional. Nenhum exército no mundo possui condições de enfrentar uma nação inteira hostil sem recorrer a táticas de aniquilação, e poucos são os Estados que podem se dar ao luxo de pagar o preço associado ao uso destas.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Sendo assim, o conceito de Operações Baseadas em Efeitos é conseqüência das mudanças que ocorreram no paradigma militar, sendo particularmente adeqüada nos conflitos assimétricos e contra-insurgências que parecem ser o futuro da guerra. Mesmo em conflitos &#8220;à moda antiga&#8221;, as novas tecnologias da informação e armamentos de precisão fazem com que seja muito menos difícil a adoção de uma abordagem pautada em efeitos.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">O objetivo deste texto foi fornecer uma pequena base de reflexão sobre o assunto. Leitores que desejem mais informações podem ler o texto de João Vicente, que é uma excelente introdução ao tema. Para leitores um pouco mais conhecedores do tema, recomendo os textos de Antulio J. Echevarria sobre o tema, disponíveis no <em>site</em> do <em>Strategic Studies Institute</em>, subordinado ao <em>U.S. Army War College.</em></span></p>
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		<title>Plus &#231;a change&#8230;?</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jul 2008 14:48:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>The Son of Nothing</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Mudar é difícil. Mesmo após tantos esforços e sacrifícios, sempre restam alguns dos traços que motivaram a primeira mudança. Por isso, muitos &#8211; inclusive eu, quando mais jovem-, crêem que não existe mudança de fato: &#8220;plus ça change, plus c&#8217;est la même chose&#8221;.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span>Mudar é difícil. Mesmo após tantos esforços e sacrifícios, sempre restam alguns dos traços que motivaram a primeira mudança. Por isso, muitos &#8211; inclusive eu, quando mais jovem-, crêem que não existe mudança de fato: &#8220;plus ça change, plus c&#8217;est la même chose&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Hoje, porém, vejo as coisas de uma maneira um pouco diferente. Existe, sim, mudança. Muitas vezes para a pior, e sempre com um preço excessivamente alto, mas existe. O Mundo toca as pessoas de formas diferentes, encaminhado-as para as mais diversas sinas.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Existem diversas reações ao  Horror (que não é o medo puro e simples, mas sim a trágica compreensão de como o mundo é). Uns percebem a insanidade dos caminhos que trilham e conseguem se afastar, levando uma vida melhor para si mesmo e para os outros. Alguns tentam levar a vida como podem. Outros constroem um muro para se isolar da realidade.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Um último grupo desiste de tudo, abandonando sonhos e desejos para abraçar o caos. Estes são aqueles que, entendendo a piada de mau gosto que é o mundo, decidem dançar conforme a música. Sem pretensões, apenas aguardando o momento em que deixam de ser importantes para o andamento da grande comédia da vida.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Foi isso o que aconteceu com o jovem idealista que um dia cruzou as portas do monolito de cimento e lágrimas mais conhecido como Colégio Poliedro. Desgastando-se progressivamente pela interação com um mundo para o qual não estava pronto, já não tinha forças para resistir à epifania sobre o mundo que surgiu do último lampejo da genialidade que não mais existe.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Pois é fato, caro leitor, que não sou mais sequer uma sombra do garoto sonhador que queria entrar no ITA. Os sonhos se foram, seja por terem sido atingidos ou por estarem longe demais. A inteligência que abriu tantas portas também se foi, desperdiçada pela arrogância e por vícios diversos. A humildade foi tragicamente substituída por uma prepotência cada vez mais sem bases, conforme o intelecto se esvanecia.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Tanta coisa mudou, mas muitas outras características persistiram. O idealismo ainda existe, por mais que &#8211; sem os sonhos &#8211; ele tenha se transformado em tenacidade, em incapacidade de aceitar aquilo que foge do ideal, em conceder. &#8220;Never, not even in the face of Armageddon. Never compromise&#8221;. Mesmo neste momento, em uma madrugada qualquer, em um canto qualquer, as palavras de Rorschach ecoam em minha mente.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Outro ponto que permaneceu o mesmo foi a minha incapacidade de formar vínculos emocionais. Não que eu seja desprovido de emoções, é só que não consigo achar algo que me ligue a outras pessoas. Não odeio ninguém, não sinto amor se não o fraternal ou o filial. Tenho meia dúzia de amigos, todos conhecidos há mais de dois anos, a maioria há mais de meia década. Me apaixonei duas vezes, e essa é minha vida sentimental.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Ainda não consigo deixar de culpar os outros pelas minhas atitudes. Não assumo quando a culpa é minha, seja por não ter sido forte o suficiente para não agir como os outros, seja por não ter agido na hora certa. Guardo ódios irracionais e imorredouros por pessoas que acabam se interpondo em meus planos, mesmo que não saibam.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Continuo sacrificando tudo e todos com quem me importo por um grande objetivo. Paixões, amizades, quase tudo é moeda de troca válida pelo Caminho. Muitos fardos, por mais insignificantes que sejam, precisam ser carregados. Às vezes, em silêncio. Mas sempre tem de haver alguém disposto a pagar o preço.</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;">Não deixei de ser totalmente quem um dia fui, mesmo porque estou cansado demais de tudo para mudar, ainda que apenas uma fração infinitesimal. Sacrifícios demais já foram feitos. Mas muito mudou. Talvez por terem sido mudanças lentas, acabe parecendo que é tudo a mesma coisa. Mas não é. <em>Omnia mutantur.</em></span></p>
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