É o vento, e nada mais.

November 6, 2008

Pequeno rascunho econômico

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 4:32 pm

 

Bem, muita coisa aconteceu no tempo em que fiquei sem postar. Então, tentarei fazer um breve sumário de alguns tópicos importantes, enquanto não escrevo algum post de grande porte como nos velhos tempos.

Para quem esteve fora do mundo (ou no Curso Poliedro, o que dá na mesma) Uma crise econômica, que já pairava no horizonte há algum tempo, ocorreu, com resultados desastrosos. A queda no valor das casas fez com que os títulos que dependiam disso também se desvalorizassem, causando um grande impacto no mercado financeiro. Nomes tradicionais como o Lehmann Brothers faliram como que da noite para o dia, garantindo que a situação principiada no setor imobiliário estadunidense passasse a ser uma emergência em nível mundial.

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November 2, 2008

Ausência

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 5:31 pm

Não tenho postado neste blog há algum tempo, por uma série de motivos. Por um lado, minhas habilidades de escrita se atrofiaram e eu não tenho tido muitas idéias realmente blogáveis ultimamente.

Outro motivo para eu andar meio sumido é a escola. Estamos em uma época de revisão para os vestibulares, e as provas já começaram. Essa semana, tive uma experiência particularmente traumatizante com a prova do IME. Talvez fale mais sobre isso depois.

Dessa forma, boa parte do meu tempo acaba indo embora, e alguns poucos projetos paralelos importantes – como o latim – tomam o resto do meu tempo; por isso a aparente morte desta página. No entanto, tentarei postar alguma coisa nos próximos dias.

July 19, 2008

Plus ça change…?

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 2:48 pm

Mudar é difícil. Mesmo após tantos esforços e sacrifícios, sempre restam alguns dos traços que motivaram a primeira mudança. Por isso, muitos – inclusive eu, quando mais jovem-, crêem que não existe mudança de fato: “plus ça change, plus c’est la même chose”.

Hoje, porém, vejo as coisas de uma maneira um pouco diferente. Existe, sim, mudança. Muitas vezes para a pior, e sempre com um preço excessivamente alto, mas existe. O Mundo toca as pessoas de formas diferentes, encaminhado-as para as mais diversas sinas.

Existem diversas reações ao  Horror (que não é o medo puro e simples, mas sim a trágica compreensão de como o mundo é). Uns percebem a insanidade dos caminhos que trilham e conseguem se afastar, levando uma vida melhor para si mesmo e para os outros. Alguns tentam levar a vida como podem. Outros constroem um muro para se isolar da realidade.

Um último grupo desiste de tudo, abandonando sonhos e desejos para abraçar o caos. Estes são aqueles que, entendendo a piada de mau gosto que é o mundo, decidem dançar conforme a música. Sem pretensões, apenas aguardando o momento em que deixam de ser importantes para o andamento da grande comédia da vida.

Foi isso o que aconteceu com o jovem idealista que um dia cruzou as portas do monolito de cimento e lágrimas mais conhecido como Colégio Poliedro. Desgastando-se progressivamente pela interação com um mundo para o qual não estava pronto, já não tinha forças para resistir à epifania sobre o mundo que surgiu do último lampejo da genialidade que não mais existe.

Pois é fato, caro leitor, que não sou mais sequer uma sombra do garoto sonhador que queria entrar no ITA. Os sonhos se foram, seja por terem sido atingidos ou por estarem longe demais. A inteligência que abriu tantas portas também se foi, desperdiçada pela arrogância e por vícios diversos. A humildade foi tragicamente substituída por uma prepotência cada vez mais sem bases, conforme o intelecto se esvanecia.

Tanta coisa mudou, mas muitas outras características persistiram. O idealismo ainda existe, por mais que – sem os sonhos – ele tenha se transformado em tenacidade, em incapacidade de aceitar aquilo que foge do ideal, em conceder. “Never, not even in the face of Armageddon. Never compromise”. Mesmo neste momento, em uma madrugada qualquer, em um canto qualquer, as palavras de Rorschach ecoam em minha mente.

Outro ponto que permaneceu o mesmo foi a minha incapacidade de formar vínculos emocionais. Não que eu seja desprovido de emoções, é só que não consigo achar algo que me ligue a outras pessoas. Não odeio ninguém, não sinto amor se não o fraternal ou o filial. Tenho meia dúzia de amigos, todos conhecidos há mais de dois anos, a maioria há mais de meia década. Me apaixonei duas vezes, e essa é minha vida sentimental.

Ainda não consigo deixar de culpar os outros pelas minhas atitudes. Não assumo quando a culpa é minha, seja por não ter sido forte o suficiente para não agir como os outros, seja por não ter agido na hora certa. Guardo ódios irracionais e imorredouros por pessoas que acabam se interpondo em meus planos, mesmo que não saibam.

Continuo sacrificando tudo e todos com quem me importo por um grande objetivo. Paixões, amizades, quase tudo é moeda de troca válida pelo Caminho. Muitos fardos, por mais insignificantes que sejam, precisam ser carregados. Às vezes, em silêncio. Mas sempre tem de haver alguém disposto a pagar o preço.

Não deixei de ser totalmente quem um dia fui, mesmo porque estou cansado demais de tudo para mudar, ainda que apenas uma fração infinitesimal. Sacrifícios demais já foram feitos. Mas muito mudou. Talvez por terem sido mudanças lentas, acabe parecendo que é tudo a mesma coisa. Mas não é. Omnia mutantur.

June 20, 2008

Erotomania

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 12:54 am

Para uma pequena grande pessoa.

Visão do que nunca havia sido
Um sonho que demora pra passar
Em meio a corações partidos
E ao medo daquilo que virá

Eu, tão desprezível e errado
Buscando qualquer porto seguro
Tateio incerto pelo mundo
Atrás do apoio de tuas mãos

Mas tu, tão bela e sonhadora
Recolhe as mãos, remerosa
De que uma alma tão sofredora
Seja só uma máscara maliciosa

E, sem teu apoio, eu caio
No limbo da desesperada loucura
Enquanto, doente, continuas
A tomar amizade por coisa impura

És linda, devo confessar;
Inteligente, pura, tudo que sonhei
Tantas virtudes tem para exaltar
Mesmo assim, nunca te amei.

June 14, 2008

Hello World

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 10:01 pm

A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia. há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Mata-cavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. Na principal destas, a pintura do tecto e das paredes é mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e grandes pássaros que as tomam nos blocos, de espaço a espaço. Nos quatro cantos do tecto as figuras das estações, e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto, Nero e Massinissa, com os nomes por baixo… Não alcanço a razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de Mata-cavalos, já ela estava assim decorada; vinha do decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas. O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro. Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não agüenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos-santos. Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas crêem na mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários, e tal freqüência é cansativa.

Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior, é outra cousa a certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira. Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações raras. O mais do tempo é gasto em hortar, jardinar e ler; como bem e não durmo mal.

Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudência. filosofia e política acudiram-me, mas não me acudiram as forças necessárias. Depois, pensei em fazer uma “História dos Subúrbios” menos seca que as memórias do Padre Luís Gonçalves dos Santos relativas à cidade; era obra modesta, mas exigia documentos e datas como preliminares, tudo árido e longo. Foi então que os bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam reconstituir-me os tempos idos, pegasse da pena e contasse alguns. Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras viessem perpassar ligeiras, como ao poeta, não o do trem, mas o do Fausto: Aí vindes outra vez, inquietas sombras?…

Fiquei tão alegre com esta idéia, que ainda agora me treme a pena na mão. Sim, Nero, Augusto, Massinissa, e tu, grande César, que me incitas a fazer os meus comentários, agradeço-vos o conselho, e vou deitar ao papel as reminiscências que me vierem vindo. Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo. Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito. É o que vais entender, lendo.”

-Machado de Assis, Dom Casmurro

Eis aqui um blog mais pessoal, sem a intenção de atrair visitas.

Meu único objetivo é postar aqui os textos que eventualmente sejam subjetivos demais para o Far Beyond Sanity e deixar aquele blog para meus textos mais sérios e eventualmente legíveis.

More to follow.

Adab

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 9:53 pm

Minha nobre e formosa Senhora,

por tudo o que é mais sagrado,

me explica por que sádico fado

estou tão longe de ti nessa hora?

Devo haver cometido, por certo,

crime hediondo, grande pecado,

para ser de tal modo condenado:

Não te ter, mas estar sempre por perto.

Se não tivesse eu tanto temido

Amar, talvez tivesse percebido :

-És tu! E jamais teria sofrido.

Tantas canções de amor feitas

por tantos sonhadores que quiseram

que fossem assim como tu: Perfeitas.

—————-

Adab é um termo árabe que se refere à cultura; Frank Herbert, em seu livro Duna, a utilizou para representar uma memória insistente. É apropriada para o título, uma vez que este poema saiu quase formado de minha cabeça, tendo me causado uma noite de insônia antes que levantasse e o escrevesse.

A lifetime of memories

Filed under: Far Beyond Sanity, Uncategorized — The Son of Nothing @ 9:43 pm

Tanto tentei escapar do passado
Abandonar o que tinha acreditado
Com um sorriso falso e amador
Para esconder tamanha dor

Tudo muda sob o sol
Mas, no fundo, sempre é o mesmo
E, como um covarde, fujo a esmo
Procurando um descanso(, a)final

Em um sorriso teu vejo minha Pasárgada
Em teus lábios, uma razão de vida válida
Mesmo que sejamos apenas em sonhos amantes
Mesmo que, ao acordar, eu volte ao vazio dantes

A vida continua, mas também a dor
Essa é a parte que esquecem de contar
E, procurando remédio para tanto pesar,
Perco-me nas vias desse mundo do Criador

Langues

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 9:35 pm

Je suis un misérable
So cursed by this wretched world
Que jo so puedo pensar:
Fortuna me vincit

La vita, che bella!
But it’s not for me
No tengo o que hacier
En tal mundo
E nem ele parece me querer

-C’est un hellequin!
-Un monstro, Dios mio!
-Such a hideous beast!
-Merece logo a morte
-Forse vivere sia peggiore

Será que adiantaria dizer:
Je suis comme vous!
(Cogito, ergo sum)
How can I prove I deserve
La vida, también?

J’ai besoin d’un amour
A soul that can understand me
Más ahora, soy apenas un trobador
Cantando bêbado e só, assim

—————————-

Com uma pequena correção ortográfica (um doce para quem acertar qual

Ignorance is a bliss

Filed under: Uncategorized — The Son of Nothing @ 9:06 pm

“The do-er and the thinker: no allowance for the other –
as the failing light illuminates the mercenary’s creed.”

-Jethro Tull, Thick as a Brick

Inspired by things said by two great writers – both of them deeply connected with Russia; my comrade Brusilov and the legendary MUNer Thomaz Napoleão -, I decided to write something in English (I’d prefer French, but I can hardly write more than a few lines in that language), despite my terrible grammar.

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