"Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade, pequena"
-Carlos Drummond de Andrade
Tantos poemas fiz
Alguns belos e tristes
Como uma manhã chuvosa
Como uma despedida apaixonada
Outros, devo confessar,
São tão cheios de pesar
E de saudade
De coisas que nunca foram de verdade
Mas, minha cara Nimue,
Se estranhaste todo o lamento
(Justamente!)
Prometo te dedicar algo mais contente
Pois mesmo que não seja do meu feitio
Dizer o quanto o mundo é belo
Devo admitir (com um sorriso amarelo)
Que ele não deixa de ter seus encantos
O nascer do sol em meio às colinas (de concreto)
Mãos amantes tateando em busca de seus pares
Procurando um porto seguro contra o futuro incerto
Enquanto, lá fora, a manhã renasce com a paixão
Um triunfo inesperado que vem como um milagre
Um rio bravio, com suas águas sedutoras e mortais
Há tanta coisa bela para se ver,
Mas sempre estamos ocupados demais para isso
Digo, sem desprezo à beleza
Da imponente natureza,
Que inspira tanto respeito e temor:
De tudo o que vi, o mais belo é o Amor
Não a paixão, a luxúria carnal,
Que reduz aquilo que toca a algo banal
Mas aquele sentimento, hoje esquecido
E substituído por algo incerto
Ao exaltar a beleza do mundo,
Pude vê-la, por um instante, afinal
Mas encerro agora este poema
Antes que volte à tristeza usual
“And if I say to you tomorrow
‘Take my hand, child, come with me’
It’s to a castle I will take you
Where what’s to be, they say will be”
“When that Fat Old Sun in the sky is falling,
Summer evening birds are falling…”