É o vento, e nada mais.

July 11, 2008

Haikai

Filed under: Poemas — The Son of Nothing @ 5:58 pm

Ir-me embora agora
Em meio às neves hibernais
É um último adeus
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Chega o inverno
Trazendo em si a saudade
Do que nunca foi
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Nomes do passado
Sussurrados nos umbrais
É o vento, e nada mais
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Em uma escola
Vejo o inverno chegando
E a vida indo embora
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Um amor morreu
Em uma noite outonal
Triste Paulicéia

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Luzes no céu à noite
Fogo-fátuo ou estrangeiros
De um mundo distante?

June 14, 2008

Fugere orbem

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:57 pm

O peso de um mundo inteiro jaz

Sobre meus ombros; estou cansado
Cansado de tanta mentira
Cansado de tanto sofrer
Cansado de nunca ter paz
Cansado, até mesmo, de ser

Cansei de ser um reles pária
De ser uma sombra do que fui outrora
De ser uma marionete do destino
De ser forçado a usar essa máscara
De ser tão sedento pela efêmera glória

De ter de viver pelos sonhos de outrem
De ter de ver tantas esperanças destruídas
De ter de abaixar a cabeça e dizer amém
De ter de abandonar tantos desejos condenados

De comer o pão que o diabo amassou e jogou fora
De viver a vida como mórbido cassino
De escrever tantas linhas sem sentido

De sentir falta daquilo que nunca foi
De partir sem deixar saudade

Será que existe vida em Marte?

A Pure Heart For You

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:42 pm

Como falar sobre você
Sem recair em algum clichê
Daqueles que qualquer condenado
Usa quando está apaixonado?

Como deixar de ser trivial
Ao falar de sua beleza
Ou mesmo de sua pureza
Se tantos (melhores que eu, até!) tentaram algo igual?

Não que sejas como as outras
As Marílias e Beatrizes, tão exaltadas…
Ao contrário: Por seres tão distinta e bela
É que vos louvar é tarefa tão árdua

Mas tanto trabalho não será à toa, não
Se este poema, puro e singelo,
Me valer um sorriso em seu rosto belo
E um lugar em seu coração.

Dueto em mote e glosa

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:38 pm

Dois espíritos muito dissonantes
Pelo mundo um dia se encontraram
Andaram por tantas vias distantes
E, de súbito, se apaixonaram

Inspiração fúlgida
Pensamentos únicos
Intenção em dúvida
Esperança malgrada

Sentença dada
Ação consumida
Esperança inesperada
Desesperada

Dado, roubado, condenado, tirado, tudo
Amor mais confuso do mundo

E agora, confuso e errante,
Perambulo trêbado pelo mundo
Tentando levar a vida adiante
Até que algo faça sentido

Untitled #1

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:37 pm

Gira a Roda da Fortuna
Como se tivesse sádico humor
Às vezes rimos na desventura;
Ou na vitória padecemos de dor

Não se pode prever o fado
Que nos assola ou conforta;
Como em um filme fracassado,
A audiência, também, pouco se importa

E assim, marionetes solitárias
Erramos pelo mundo como que em ronda
E tergivesando por vias várias
Tentando nos equilibrar na grande onda:

A Vida, amada ou odiada
Mas jamais ignorada

A happier theme (pour la Dame du Lac)

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:33 pm
"Como dois e dois são quatro
 Sei que a vida vale a pena
 Mesmo que o pão seja caro
 E a liberdade, pequena"
                                                -Carlos Drummond de Andrade

Tantos poemas fiz
Alguns belos e tristes
Como uma manhã chuvosa
Como uma despedida apaixonada
Outros, devo confessar,
São tão cheios de pesar
E de saudade
De coisas que nunca foram de verdade

Mas, minha cara Nimue,
Se estranhaste todo o lamento
(Justamente!)
Prometo te dedicar algo mais contente
Pois mesmo que não seja do meu feitio
Dizer o quanto o mundo é belo
Devo admitir (com um sorriso amarelo)
Que ele não deixa de ter seus encantos

O nascer do sol em meio às colinas (de concreto)
Mãos amantes tateando em busca de seus pares
Procurando um porto seguro contra o futuro incerto
Enquanto, lá fora, a manhã renasce com a paixão
Um triunfo inesperado que vem como um milagre
Um rio bravio, com suas águas sedutoras e mortais
Há tanta coisa bela para se ver,
Mas sempre estamos ocupados demais para isso

Digo, sem desprezo à beleza
Da imponente natureza,
Que inspira tanto respeito e temor:
De tudo o que vi, o mais belo é o Amor
Não a paixão, a luxúria carnal,
Que reduz aquilo que toca a algo banal
Mas aquele sentimento, hoje esquecido
E substituído por algo incerto

Ao exaltar a beleza do mundo,
Pude vê-la, por um instante, afinal
Mas encerro agora este poema
Antes que volte à tristeza usual

“And if I say to you tomorrow
‘Take my hand, child, come with me’
It’s to a castle I will take you
Where what’s to be, they say will be”

“When that Fat Old Sun in the sky is falling,
Summer evening birds are falling…”

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