É o vento, e nada mais.

August 3, 2008

L’Amour

Filed under: Far Beyond Sanity — The Son of Nothing @ 11:56 pm

UPDATE: Este texto foi originalmente postado no finado Far Beyond Sanity, em uma versão que desde então sofreu diversas modificações, omissões e adições. Como é um texto que eu particularmente gostei de fazer, decidi retirá-lo do cemitério ao qual a morte de tal blog o condenaria. Aproveitei, também, para dar mais algumas pinceladas no tema.

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O Amor é algo incompreensível e indefinível. Toda vez que alguém tenta descrevê-lo ou defini-lo, acaba sendo vago demais. “Amor é fogo que arde sem se ver” não quer dizer muito. Se fôssemos definir o amor de uma forma mais científica, acabaríamos nos referindo a ele como conseqüência de um conjunto de reações químicas no cérebro. Besteira. Só se pode falar do amor por exclusão ou através de suas conseqüências.

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June 14, 2008

Fugere orbem

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:57 pm

O peso de um mundo inteiro jaz

Sobre meus ombros; estou cansado
Cansado de tanta mentira
Cansado de tanto sofrer
Cansado de nunca ter paz
Cansado, até mesmo, de ser

Cansei de ser um reles pária
De ser uma sombra do que fui outrora
De ser uma marionete do destino
De ser forçado a usar essa máscara
De ser tão sedento pela efêmera glória

De ter de viver pelos sonhos de outrem
De ter de ver tantas esperanças destruídas
De ter de abaixar a cabeça e dizer amém
De ter de abandonar tantos desejos condenados

De comer o pão que o diabo amassou e jogou fora
De viver a vida como mórbido cassino
De escrever tantas linhas sem sentido

De sentir falta daquilo que nunca foi
De partir sem deixar saudade

Será que existe vida em Marte?

A lifetime of memories

Filed under: Far Beyond Sanity, Uncategorized — The Son of Nothing @ 9:43 pm

Tanto tentei escapar do passado
Abandonar o que tinha acreditado
Com um sorriso falso e amador
Para esconder tamanha dor

Tudo muda sob o sol
Mas, no fundo, sempre é o mesmo
E, como um covarde, fujo a esmo
Procurando um descanso(, a)final

Em um sorriso teu vejo minha Pasárgada
Em teus lábios, uma razão de vida válida
Mesmo que sejamos apenas em sonhos amantes
Mesmo que, ao acordar, eu volte ao vazio dantes

A vida continua, mas também a dor
Essa é a parte que esquecem de contar
E, procurando remédio para tanto pesar,
Perco-me nas vias desse mundo do Criador

A Pure Heart For You

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:42 pm

Como falar sobre você
Sem recair em algum clichê
Daqueles que qualquer condenado
Usa quando está apaixonado?

Como deixar de ser trivial
Ao falar de sua beleza
Ou mesmo de sua pureza
Se tantos (melhores que eu, até!) tentaram algo igual?

Não que sejas como as outras
As Marílias e Beatrizes, tão exaltadas…
Ao contrário: Por seres tão distinta e bela
É que vos louvar é tarefa tão árdua

Mas tanto trabalho não será à toa, não
Se este poema, puro e singelo,
Me valer um sorriso em seu rosto belo
E um lugar em seu coração.

Dueto em mote e glosa

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:38 pm

Dois espíritos muito dissonantes
Pelo mundo um dia se encontraram
Andaram por tantas vias distantes
E, de súbito, se apaixonaram

Inspiração fúlgida
Pensamentos únicos
Intenção em dúvida
Esperança malgrada

Sentença dada
Ação consumida
Esperança inesperada
Desesperada

Dado, roubado, condenado, tirado, tudo
Amor mais confuso do mundo

E agora, confuso e errante,
Perambulo trêbado pelo mundo
Tentando levar a vida adiante
Até que algo faça sentido

Untitled #1

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:37 pm

Gira a Roda da Fortuna
Como se tivesse sádico humor
Às vezes rimos na desventura;
Ou na vitória padecemos de dor

Não se pode prever o fado
Que nos assola ou conforta;
Como em um filme fracassado,
A audiência, também, pouco se importa

E assim, marionetes solitárias
Erramos pelo mundo como que em ronda
E tergivesando por vias várias
Tentando nos equilibrar na grande onda:

A Vida, amada ou odiada
Mas jamais ignorada

A happier theme (pour la Dame du Lac)

Filed under: Far Beyond Sanity, Poemas — The Son of Nothing @ 9:33 pm
"Como dois e dois são quatro
 Sei que a vida vale a pena
 Mesmo que o pão seja caro
 E a liberdade, pequena"
                                                -Carlos Drummond de Andrade

Tantos poemas fiz
Alguns belos e tristes
Como uma manhã chuvosa
Como uma despedida apaixonada
Outros, devo confessar,
São tão cheios de pesar
E de saudade
De coisas que nunca foram de verdade

Mas, minha cara Nimue,
Se estranhaste todo o lamento
(Justamente!)
Prometo te dedicar algo mais contente
Pois mesmo que não seja do meu feitio
Dizer o quanto o mundo é belo
Devo admitir (com um sorriso amarelo)
Que ele não deixa de ter seus encantos

O nascer do sol em meio às colinas (de concreto)
Mãos amantes tateando em busca de seus pares
Procurando um porto seguro contra o futuro incerto
Enquanto, lá fora, a manhã renasce com a paixão
Um triunfo inesperado que vem como um milagre
Um rio bravio, com suas águas sedutoras e mortais
Há tanta coisa bela para se ver,
Mas sempre estamos ocupados demais para isso

Digo, sem desprezo à beleza
Da imponente natureza,
Que inspira tanto respeito e temor:
De tudo o que vi, o mais belo é o Amor
Não a paixão, a luxúria carnal,
Que reduz aquilo que toca a algo banal
Mas aquele sentimento, hoje esquecido
E substituído por algo incerto

Ao exaltar a beleza do mundo,
Pude vê-la, por um instante, afinal
Mas encerro agora este poema
Antes que volte à tristeza usual

“And if I say to you tomorrow
‘Take my hand, child, come with me’
It’s to a castle I will take you
Where what’s to be, they say will be”

“When that Fat Old Sun in the sky is falling,
Summer evening birds are falling…”

Just a rant

Filed under: Far Beyond Sanity — The Son of Nothing @ 9:24 pm

O caos. Eu amo o caos. Talvez ele seja a minha única outra paixão verdadeira, afinal. Por um tempo, julguei gostar de outras coisas: alguns sonhos aqui e acolá, algumas paixonites que vieram e passaram em um átimo, a eterna e incessante busca pelo conhecimento… Todas essas coisas me atraíram por algum tempo, todas elas me custaram algo, deixando suas marcas. E todas, agora, parecem igualmente fúteis.

Qual o sentido de tanto trabalho? Anos de estudo, sacrifícios, exclusão, uma vida toda de trabalho que pode ter todas as suas bases removidas em alguns instantes. Como fica um pai de família que perde sua mulher e seus filhos por um acidente besta, talvez causado por alguém que estava bebendo em horário de serviço? Alguém que dedicou a vida a um sonho e o vê destruído por forças com as quais simplesmente não pode competir?

E mesmo o triunfo é algo meio sem sentido para quem pensa no futuro. Cada triunfo aumenta as expectativas da próxima vitória, os limites a serem rompidos, até que se chega a um ponto em que a única coisa que se pode fazer é sentar em mediocridade e olhar para o passado. Genghis Khan ergueu um império de vastidão fabulosa, e o que foram seus sucessores perto dele? Como é difícil ser um matemático ou um físico nos dias de hoje, em que parece que todas as coisas importantes já foram provadas!

O que fazer depois de alcançar o objetivo de uma vida? Morrer, como fez Galaaz, satisfeito de ter cumprido sua missão? Sentar confortavelmente numa cadeira de balanço, olhando o sol se pôr e lembrando do preço de tudo isso? Buscar outro objetivo, talvez, mas isso é empurrar com a barriga o problema. Paradoxalmente, a vida perde o sentido quando se encontra o sentido da vida.

E, dessa forma, o que resta? A morte.

E o que é a morte? Citando Sir Hob Gadling, “Acho que é uma coisa lenta. Como um ladrão que vem à sua casa todo dia, levando uma coisa aqui e outra acolá, até que certo dia, você anda pela casa e não tem nada mais do seu agrado, nada que faça uma pessoa querer ficar. Aí você se deita e se cala para sempre. Um monte de pequenas mortes até a última e a maior”. Sempre existem as mortes por fatores externos. Insh’Allah. Mas boa parte das formas como a vida acaba é conseqüência de escolhas.

E o que vem depois?

Céu?

Inferno?

Purgatório?

Um novo tour of duty neste mundo, passando por tudo de novo?

Ou simplesmente o nada, o retorno ao pool de moléculas e genes, um ligeiro aumento da entropia do universo?

Eis o mistério da fé (independente de qual seja). Eis o caos, em sua forma absoluta. E é por isso que eu o amo – e o temo.

High hopes

Filed under: Far Beyond Sanity — The Son of Nothing @ 8:59 pm

Eu odeio promessas. Não que eu não tenha palavra; o caso é exatamente o contrário. Para quem leva a sério o que promete, elas são incômodos compromissos que têm de ser cumpridos, enquanto quem não tem palavra faz promessas levianamente e as cumpre quando convém, ignorando-as quando o preço associado ao cumprimento é alto demais.

Se promessas são tão inconvenientes, por que diabos as fazemos? Em alguns casos, prometemos deixar de fazer coisas por suas conseqüências; isso é comum após uma ressaca homérica. Outras vezes, somos motivados pelo amor, sentimento capaz de reduzir pessoas racionais a idiotas completos; a promessa de Tristram para Victoria em Stardust é um exemplo hiperbólico, mas todos já fizeram coisas bem tolas por amor.

São diversas as motivações que levam a uma promessa. Mas, de modo geral, todas são consequências de um mesmo fato: o ser humano odeia o caos. Sempre temerosos do novo, do diferente, buscamos uma tábua familiar que nos impeça de morrermos afoagdos em um oceano de incertezas.

Por isso fazemos promessas, às vezes tão levianamente. Elas nos dão uma impressão de certeza, de confiabilidade, que tanto buscamos, mesmo que nem sempre seja justificada.

Talvez, como disse o Arthur de Bernard Cornwell, promessas sejam o que nos diferenciam dos animais. Só que muitas vezes fazemos promessas que não podemos cumprir, motivados por frustração, boa vontade ou um desejo sincero de mudar. Para alguns, isso é normal. C’est la vie, diriam, e continuariam a vida como se nada tivesse ocorrido.

Outros, no entanto, não conseguem ignorar o fracasso em manter a palavra. Presos pela sua própria consciência, não conseguem deixar de pensar naquilo que poderia ter sido diferente, não conseguem deixar de se culpar por não cumprirem suas promessas.

Afinal, esta é a sina dos sonhadores: nunca se satisfazer com o mundo. Enxergar não o que é, mas o que deveria ter sido. E pagar um alto preço por isso. Sem nunca se conformar com a realidade, a pior das prisões. E, ao encerrar este texto, quebro outra promessa.

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