Bem, muita coisa aconteceu no tempo em que fiquei sem postar. Então, tentarei fazer um breve sumário de alguns tópicos importantes, enquanto não escrevo algum post de grande porte como nos velhos tempos.
Para quem esteve fora do mundo (ou no Curso Poliedro, o que dá na mesma) Uma crise econômica, que já pairava no horizonte há algum tempo, ocorreu, com resultados desastrosos. A queda no valor das casas fez com que os títulos que dependiam disso também se desvalorizassem, causando um grande impacto no mercado financeiro. Nomes tradicionais como o Lehmann Brothers faliram como que da noite para o dia, garantindo que a situação principiada no setor imobiliário estadunidense passasse a ser uma emergência em nível mundial.
Para compreender as causas, conseqüências e possíveis rumos a serem tomados, recomendo Stratfor ou o Fabius Maximus. A curto prazo, tivemos a falência de grandes empresas; o setor bancário da Islândia, cujas taxas de juros haviam atraído muitos investimentos de fundos ingleses, quebrou a tal ponto que o país teve de se sujeitar a pedir dinheiro para a Rússia – que, considerando-se o fato de que a bolsa de Moscou chegou a ter queda de 20% em um único dia, não estava exatamente bem das pernas. A médio e longo prazo, a perspectiva da diminuição da presença militar americana, motivada pela necessidade de contenção de gastos, leva pensadores como Wallerstein a cantarem o fim do império americano, possivelmente ainda de forma precoce.
Os governos dos países mais desenvolvidos criaram diversos planos para tentar conter os efeitos da crise. Os Estados Unidos criaram um pacote de 700 bilhões de dólares para salvar bancos da falência. A União Européia, por mais que não tenha criado um plano único de reação, definiu em reunião as guidelines para os planos a serem criados por seus membros. Mesmo o Brasil, cuja economia vinha com um crescimento estável e até que bom antes da crise, precisou tomar medidas para se proteger.
Em comum, esses planos possuem uma série de características. Muitos deles consistem na liberação de quantidades maciças de crédito para o governo adquirir bancos que estejam perto da falência, como os EUA já fizeram com os outrora semi-estatais Fannie Mae e Freddie Mac, além de outras medidas para tentar restaurar a confiança do público. No entanto, essas medidas, além de não aliviarem a tendência dos bancos de reduzir as concessões de crédito para o consumidor – por medo de não serem pagos –, constituem uma tentativa de socializar os prejuízos dos mais ricos em detrimento de toda a sociedade.
Na minha humilde visão de não-economista, esses planos agem em um ponto que não é o fundamental. Uma eventual intervenção na economia (não vou entrar aqui no debate sobre a validade do intervencionismo estatal) deveria ter medidas para conter o problema e impedir que ele se repita. A curto prazo, restaurar o valor das hipotecas e impedir que o consumidor seja prejudicado pela crise é mais importante do que salvar bancos e financeiras; empresas vêm e vão, mas a economia atual gira em torno do consumo. Talvez uma recessão, como no final da década de 80, seja uma solução, desde que se consiga impedir que o impacto dela seja muito profundo.
A longo prazo, é necessário repensar o atual modelo econômico. A Crise de 29 foi solucionada apenas após análises por economistas como John Maynard Keynes. Porém, isso não implica que uma ressurreição das idéias keynesianas seja a solução ótima para esse problema. Talvez outras contribuições além da síntese neoclássica possam ser úteis. Para aqueles que crêem no intervencionismo estatal, este parece ser um momento que pede por legislações como o Glass-Steagal Act; para pseudo-comunistas tão comuns em Diretórios Acadêmicos e cursos de Humanas e Ciências Sociais, é um indício do colapso inevitável do Capitalismo. Independentemente de quem esteja certo, só se pode ter uma certeza: não pode haver um retorno ao status quo ante crisis.