É o vento, e nada mais.

November 6, 2008

Hussein, POTUS – ou Eleições Americanas de 2008

Filed under: Política — The Son of Nothing @ 5:50 pm

Nas eleições do dia 4 de novembro de 2008, o povo dos Estados Unidos da América foi às urnas em números nunca antes vistos para decidir os rumos de sua nação, numa das mais acirradas campanhas eleitorais já ocorridas na terra do Tio Sam. De um lado, um célebre veterano do Vietnã, com posições ideológicas conservadoras, porém bastante diferentes de seu antecessor mundialmente odiado. John McCain seria um bom presidente dos Estados Unidos; mesmo com sua idade avançada e escolha pobre de Vice-Presidente (afinal, Bush pai sobreviveu a Dan Quayle), ele conseguiu a proeza de ser o candidato republicano mais interessante desde Reagan.

Porém, apesar de ter ido mais longe do que nas eleições de 2000, quando se retirou nas primárias após uma disputa intensa com o atual presidente estadunidense George Walker Bush, John McCain teve a mesma sina do democrata Adlai Stevenson: a eleição de 2008 já estava definida no momento em que o candidato do outro partido foi escolhido. Muitos comentaristas falam sobre a falência do Partido Republicano, sem ideais que apelem para o povo americano (exceto pela minoria religiosa que cada vez mais perde o espaço conquistado aos gritos), que inclusive foi responsável pela expansão da maioria democrata no Congresso e na House of Representatives.

Mas, fosse o candidato Democrata outro que não Barack Hussein Obama II, as coisas poderiam ter corrido de forma muito diferente.

De um relativo ninguém, o candidato a uma vaga senatorial que fez a keynote speech da Convenção do Partido Democrata em 2004 se tornou uma potência política, capaz de derrotar mesmo o estabelecidíssimo nome de Hillary Rodham Clinton nas primárias para a eleição de 2008. Parte de tamanha popularidade se deve ao seu trabalho no Senado, pela aprovação de leis como o Coburn-Obama Transparency Act, que estabeleceu um site com a prestação de contas do governo americano. Mas, lei por lei, tanto Clinton quanto McCain possuem uma participação mais destacada do que a de Obama, que se absteve em várias votações tidas como importantes (ao menos para as olavetes de plantão).

Barack Obama não era apenas um candidato comum, nem sua vitória é devida apenas à fraqueza momentânea do Partido Republicano. Ele é uma figura jovem, ativa, com um diploma de Harvard para provar o seu intelecto, filhos pequenos a criar. Joga basquete, está tentando largar o cigarro. Leitores brasileiros mais atentos à história devem se lembrar de uma figura que já governou a terra Brasilis, também eleita a partir de uma promessa de juventude e renovação. Sim, ele mesmo, Fernandinho Viadinho.

Porém, antes de concordar com Olavo de Carvalho e partirmos a crer na hipótese de que a vida do futuro 44º presidente dos EUA é apenas uma construção para um Candidato Manchuriano, convém lembrar que, mesmo que ele seja, o Executivo não possui tanto poder quanto o detido por um certo batráquio hirsuto, ou por coronéis golpistas fracassados. Qualquer desvio daquilo que o povo americano espera do candidato que elegeu, e pode-se ter certeza de que ele estará fora do poder antes que alguém consiga dizer Impeachment (Ou Lee Harvey Oswald).

Dessa forma, prefiro me focar na análise do significado da eleição e das perspectivas futuras.

É triste que uma coisa tão importante quanto mudança precise tornar-se um slogan político para receber a devida atenção, mas é exatamente isso que grande parte do povo americano busca. Não os Bible Belters e neocons que guiaram a política interna e externa nos últimos oito anos; quem foi as urnas por Obama, na maior parte dos casos, foi o povo das grandes cidades litorâneas, a América que inova, que muda, que se transforma e, ao fazê-lo, transforma o mundo.

A eleição de Obama foi um sinal dessa fração importante dos Estados Unidos para o mundo. Um sinal de que se deseja, de fato, romper com o desastre que foi a política externa de Bush, responsável pelo aumento do déficit e pelo envolvimento em duas guerras custosas e difíceis. Um sinal de que a sociedade deseja ser mais aberta e acolhedora às miríades que vão buscar o tão exaltado “Sonho Americano”. Um sinal de que os americanos não mais estão (tão) indiferentes ao resto do mundo.

Pois, na verdade, Barack Hussein Obama, se sobreviver até o meio-dia do dia 20 de Janeiro de 2009, será um presidente com uma capacidade sem precedentes de mudar a forma como o mundo vê os Estados Unidos. Mesmo antes de receber a nomeação de seu partido, Obama já contava com uma forte popularidade no exterior, já tendo contato com líderes como Nicholas Sarkozy. Sua eleição foi vista com júbilo por boa parte do Terceiro Mundo, que vê em uma eleição tão histórica a probabilidade de um novo começo com a mão até então imperialista da águia americana.

Obama pode não contar com a aceitação absoluta do resto do mundo, mas, se ele der sinais de desejar mudança, as outras nações o ouvirão, enquanto qualquer outro presidente fazendo a mesma coisa seria tomado por cínico. Se ele desejar encerrar a fanfarronice bolivariana, Hugo Chaves já abriu as portas para isso, com uma efusiva carta de congratulações. Se ele quiser abrir negociações com o Irã, o regime dos aiatolás o ouvirá. É muito forte no mundo a esperança de que as coisas mudem. Muita decepção ainda pode vir disso, mas, se o novo presidente se ativer às suas promessas e sinais de campanha, a percepção que o mundo tem dos Estados Unidos pode mudar – para a melhor.

Na parte 2: Os desafios do novo presidente.

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2 Comments »

  1. Muito bom o texto, impressionante mesmo.
    Obama tem a missão de “mudar a cara” do país. Acho que um dos principais desafios dele é mudar a imagem que o mundo tem dos EUA de Bush. Oportunidade, ele tem.

    Comment by Murilo Romulo — November 16, 2008 @ 2:43 am

  2. Próximo, por favor?

    Comment by Jake Dust — January 7, 2009 @ 7:32 pm


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