Jogos, máscaras. No fundo, as coisas são sempre as mesmas: ocultar, disfarçar, suprimir, adequar-se. Nada de sentimentos. Apenas a conformidade é esperada. A aceitação daquilo que é real, do que é esperado. Mas a realidade é uma prisão, talvez a mais insidiosa de todas. Só há uma escapatória, um último refúgio: o caos, o imprevisível.
Sem modelos ou previsões, por favor. Não me venham com Teorias de Tudo! Feliz é a marionete, pois ela não vê os fios que a regem. Já o homo sapiens, triste figura quixotesca enfrentado seus imperativos biológicos, é capaz de ver as paredes de sua cela. E isso o angustia. Quanto mais ele pensa, mais nítidos ficam os contornos.
Quando somos jovens, acreditamos que podemos mudar o mundo. Talvez possamos, talvez não. Mas, quando percebemos todo o poder que tínhamos, já é tarde demais – ele se foi, junto com a mocidade.
Existem limites antes que os enxerguemos, ou eles surgem de tanto que os buscamos? Ao tatearmos cegamente, encontramos as paredes de nosso claustro. Mas não sabemos se elas já estavam lá antes ou se apareceram por nossa insistência. Se você olha para o abismo, o abismo olha para você.
Talvez todo o problema esteja nessa ânsia de saber. Sem ela, seríamos completa e ridiculamente ignorantes. Mas a alternativa nem sempre é melhor. Para alguns, o conhecimento traz a felicidade; para outros, apenas angústia.
“Dorme agora…é só o vento lá fora.”
Imagens e imagens é só isso que somos?
Perfeito seu “pequeno monólogo”.
Muito expressivo mais ainda realista.
Parabéns.
Comment by mesmacoisa — October 25, 2008 @ 6:22 pm